Mostra: “I have a dream”!

Mostra gratuita e comentada em homenagem a Martin Luther King.

A escravidão de negros foi uma instituição legal, em países americanos como os nos Estados Unidos e o Brasil, durante séculos. Nos Estados Unidos (América Britânica), ela existiu por mais de 300 anos: os primeiros negros africanos chegaram aos Estados Unidos em 1526. Filmes como 12 Anos de Escravidão (2013), de Steve McQueen e Nascimento de uma Nação (2016), de Nate Parker, abordam, por meio de histórias reais, os horrores do escravismo colonial. Após a eleição de Abraham Lincoln em 1860, sete estados romperam com a União antes que ele assumisse o cargo, temendo que Lincoln implementasse leis anti-escravagistas. Posteriormente, outros quatro estados sulistas se uniram a eles, formaram os Estados Confederados da América com um discurso conservador que visava manter a instituição da escravidão. O que se seguiu foi uma guerra civil que durou quatro anos e matou mais de 600 mil pessoas. Após a Guerra de Secessão Norte-Americana, em 1865, foi aprovada a 13ª Emenda à Constituição americana, abolindo a escravidão em todo o território dos Estados Unidos.

Contudo, esta 13ª Emenda, em seu texto (“Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado.”), deixava margem para que a instituição da escravidão se mantivesse viva por meio do encarceramento da população negra, como mostra o documentário homônimo dirigido em 2016 pela cineasta Ava Duvernay. Atualmente, os Estados Unidos têm 2,3 milhões de pessoas em situação de prisão, ou seja, mais de 25% de todos os presos do planeta. Desse total de população presidiária, 40% é formada por negros, que representam apenas 12% da população total do país. Além disso, a abolição da escravidão não extinguiu o racismo que sua instituição enraizou naquela sociedade.

A segregação racial, isto é, a separação entre negros e brancos, se manteve, principalmente por meio das leis “Jim Crow”, promulgadas no final do século XIX e início do século XX nos estados sulistas por parlamentares do partido Democrata. A vida dos negros norte-americanos sob essas leis racistas é retratado nos filmes No Calor da Noite (1967), de Norman Jewinson, Histórias Cruzadas (2011), de Tate Taylor e Infiltrado na Klan (2018), de Spike Lee. As leis “Jim Crow” exigiam instalações separadas para brancos e negros em todos os locais públicos, principalmente nos estados que faziam parte dos antigos “Confederados”, vigorando até 1965, quando foram abolidas em resultado da ação dos movimentos pelos direitos civis, liderados por nomes como Malcolm X, Rosa Parks, James Baldwin.

Talvez o maior deles tenha sido Martin Luther King, um pastor protestante cuja vida de luta contra a desigualdade racial é retratada no filme Selma (2015), também dirigido por Ava Duvernay. Em 1963, participou da Marcha sobre Washington onde ele ditou seu famoso discurso “Eu Tenho um Sonho” aos pés do Memorial de Lincoln. No ano seguinte, ganhou o Prêmio Nobel da Paz por combater o racismo nos Estados Unidos. Odiado pelos racistas e segregacionistas estadunidenses, principalmente ligados à Ku Klux Klan, foi assassinato no dia 4 de abril de 1968, em Memphis, no Tenessee.”

Sobre o curador da Mostra.

Leandro Andrade Cardoso é Professor de Geografia na rede municipal e Presidente do Conselho Municipal de Educação de Ouro Preto.

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